Chris Bicalho
A NEW WAY OF LOOKING AT TRAVEL
01 NOV
04:09 AM

NAS PARALELAS

Em Nova York, não deixe de conferir duas ótimas exposições que correm por fora das principais programações da temporada artsy na cidade. Uma delas, no MoMA. “New Photography 2010” apresenta o trabalho de quatro artistas, todas mulheres (aliás, corre em Manhattan um manifesto feminista reclamando da falta delas no calendário anual de individuais), fotógrafas de revistas e campanhas que transcenderam o mercado editorial com suas fotos hoje consideradas obras de arte, dignas de museu mesmo. São elas: Roe Ethridge, Elad Lassry, Alex Prager e Amanda Ross-Ho.

Todas operando no limite entre o comercial e o conceitual, o publicitário e o cinematográfico; o que se repara é uma narrativa pictórica em papel com nuances, sombras e cores que parecem saídas de uma tela e não de uma lente. Cliques que definitivamente colocam a fotografia no patamar devido – na altura das grandes manifestações da cena contemporânea.

Outra expô que merece e muito ser conferida está no Guggenheim. “Chaos and Classicism” apresenta, de maneira extraordinária, o renascimento do classicismo na arte francesa, italiana e alemã no período entre guerras, quando a ordem, “Il retour à l’ordre”, era revisitar a estética grega e a opulência do império romano, flertar outra vez com as formas puras e perfeitas de outrora como necessidade vital de reinventar a própria história que o front tratou de apagar. Lado a lado, Picasso e Giorgio de Chirico, Otto Dix, Léger e Sander; obras exibidas pelas primeira vez em solo americano, telas e esculturas que definiram o começo do novecento na Europa e a intenção de reafirmar a supremacia do Velho Mundo no mapa das artes mundiais.

Merece destaque a sala dedicada à estética nazi, com uma pintura pra lá de curiosa onde aparecem quatro mulheres, da “raça ariana”, representando, cada uma, os elementos da natureza. Assinada por Hannah Höche, a obra decorava um dos aposentos da casa de Adolf Hitler. Logo adiante, uma sala exibe trechos de “Olympia”, documentário de Leni Riefenstahl que valorizava justamente a ideia do homem belo e perfeito, puro e, claro, alemão. Tem que ir, tem que ver. Ambas as exposições ficam até janeiro. Vá de manhã.

Posted by: B360 Insider
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