SONHO DE UMA NOITE DE VERÃO
Ainda é dia, mas já passam das dez da noite em Berlim. Julho a pino, sol a postos e partout uma leveza humana toma conta da cidade que, enfim, livrou-se de um passado desumano. Sim, a capital alemã está mais light, contagiante como nunca.
As ruas ganham cores tropicais a esta altura, há verdes e amarelos nas copas das árvores, nas camisetas dos ciclistas e nas embalagens das cervejas que a esta altura suam em copos tamanho família sobre todas as mesas de todos os cafés, bares e restaurantes de Mitte, Prenzlauer Berg e adjacências que ainda hoje exalam um perfume comunista no ar.
Sensações que devem ser experimentadas de bicicleta, fica a dica. Rota de ciclovia, norte a sul, de parque em parque, e lá vamos nós. É fim de semana, quando todos os caminhos levam a Mauerpark, ponto de encontro da juventude mais dourada da temporada.
Que se reúne no anfiteatro para o tradicionalíssimo karaokê dominical, onde talentos anônimos (que preferem continuar assim) cantam hits na língua de suas terras e em inglês, músicas de agora e de outrora para alegria geral.
A cena é divertidíssima, aplausos e coreografias. Body language global, e todos se entendem. Não importa a origem, vale a intenção de verão. Ar livre e despretensão. Atenção para o refrão.





















